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100 anos depois...
eu sei. nem eu aguento mais essas comemorações do centenário da imigração japonesa que duram o ano inteiro. e olha que meus avós, pais do meu pai, são nascidos lá.
pouco sei do meu avô, uma pena. quando eu era uma criança beirando a hiperatividade, correndo de calcinha pela casa, tirando sarro da cara dos meus primos mais velhos e brigando com os mais novos, meu avô era daqueles senhores distintos, que já acordavam com o cabelo a escovinha. lembro que ele só usava roupas sociais de tom cinza ou bege. ele pendurava um chaveiro na calça que fazia barulho enquanto andava. ele caminhava em volta da casa pra fazer exercícios. tinha sua própria poltrona na sala, ninguém ousava relar nela. sempre quando a gente chegava pra mais uma temporada de reveillón na casa dele, éramos presenteados com bombons e coca-cola. ah claro, marca registrada do meu avô, coca-cola. isso jamais faltou na casa dele. minha vó só bebe coca-cola até hoje. fanta, sprite, guaraná, pepsi? nem pensar, só coca-cola presta. meu avô lia jornais japoneses e todo ano assistia a corrida de são silvestre. ele tinha um orquidário lindo no quintal. eu sempre brincava por lá e acabava quebrando alguns vasos e matando algumas plantas. não sei como deixavam eu entrar naquela casa.
 a minha foto preferida dele.ele plantou um pé de limão no fundo de casa, e era onde eu subia e caía quase que diariamente. quando ele ficou doente, o limoeiro ficou doente. quando ele morreu, o limoeiro morreu também. meu vô morreu em 1993 (ou 1994?), e a única coisa que eu lembro, era que a gente estava na bahia, mudando de casa. no meio daquela coisa de carregar e descarregar caixas, eu via minha mãe com um olhar triste, meu pai cabisbaixo e minha irmã chorando sem parar. bem mais tarde naquele dia me disseram que ele tinha morrido. eu tinha uns 9 ou 10 anos. quando eu voltei pro paraná, o orquidário não existia mais, nem a poltrona, nem o chaveiro fazendo barulho, nem os bombons. eu nem sabia quantos anos ele tinha, nunca conversei diretamente com ele, não sabia o que ele achava de mim, nem fiz perguntas idiotas de netas para avôs. avô não, meu dityan. já com a minha avó foi diferente. além do fato dela ser viva até hoje, o português dela sempre foi melhor. entre meus 12 e 14 anos, nós moramos na mesma casa. ela foi pro japão com a gente, fazendo o caminho de volta sei lá quantas décadas depois. encontrou um japão mudado, muito diferente do que ela deixou quando tinha 6 anos de idade. até as pessoas idosas não entendiam muito bem o que ela falava, porque o japonês dela era antigo demais. se passou pouco mais de um ano e minha vó não quis mais ficar lá. disse que o lugar dela era no brasil. voltou sozinha, de avião. quando foi nossa vez de voltar, ela se mudou pra uma casa ao lado da nossa. e todos os dias às 7 da manhã, minha vó ia em casa, varria o quintal, lavava a louça e esperava eu acordar pra me ajudar a fazer almoço. eu já tinha idade o suficiente pra não fazer mais manha, nem estourar cano na casa dela, nem cortar a grama com a tesoura de costura dela. então a gente conversava muito. ela me contou todas as histórias de sua vida e eu quase chorei em todas. a viagem, a vida no cafezal, o casamento, os partos, a ida pra cidade, a loja, os 9 filhos... quando eu fiquei grávida, minha vó foi a quarta pessoa a saber. ela só riu, bateu na minha perna e me chamou de danadinha. hoje em dia, quando ela me vê diz que eu preciso emagrecer logo, porque eu estou parecendo uma grávida. e foi pra mim que ela deu seus albuns de fotos antigas da família, pra guardar em um lugar seguro porque ela, como qualquer pessoa de 86 anos (é 86 né?), tem medo de morrer de repente.  vovô e vovó no dia do casamento // a foto mais recente que tirei delae nesse post que eu sei que ela jamais vai ler, eu agradeço minha batyan por ter ido embora do japão, ter se casado, ter tido filhos e ter deixado meu pai se casar com uma gaijin e assim ter netas mestiças. porque senão, hoje eu seria uma japonesa de pernas tortas, cabelo rosa e roupas estranhas vagando em algum lugar daquela ilha linda, contraditória e sufocante.
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sobre carência e emoções.
luana sempre arruma amiguinhas autoritárias e possessivas. como ela é uma criança calma, passiva, tímida, as outras meninas facilmente tomam a frente nas brincadeiras e se tornam líderes. mesmo que sejam mais novas. não ligo muito pra isso. é o tipo de coisa que faz parte da personalidade das pessoas, algumas são líderes, outras não. eu sou do time de não-líderes (agora, porque quando criança adorava ser), por isso não forço a luana a ser o que não é. ela também pode mudar quando ficar mais velha, como eu mudei. lógico que isso me faz ficar com os dois olhos bem abertos, porque minha filha é mais calma e não uma fantoche.
enfim. fato é que ela tem uma amiguinha na escola, que nós vamos chamar de antônia (porque nem ela e nem eu jamais conhecemos alguém com esse nome). antônia é uma gracinha, cachinhos loiros e roupinhas cor-de-rosa. quando a luana chega na escola, ela vem correndo ao seu encontro, abraça, pega na mão e vão brincar juntas. achava ótimo que luana tivesse se enturmado tão fácil. mas percebi que antônia é muito, mas MUITO ciumenta. se luana da o mínimo de atenção a qualquer outra criança, antônia ignora na hora. faz cara de poucos amigos, vai brincar com outro alguém e quando luana chega perto, antônia finge que não vê. se chega alguma amiga em comum das duas, antônia logo corre, pega na mão dessa terceira pessoa e diz "você é MINHA amiga né? você vai sentar perto de mim né?" e da as costas pra luana. bem cruel assim mesmo. luana chegou a chorar uma vez.
a professora aconselhou os pais uma vez pra não tentarem resolver os problemas dos filhos - na escola - sozinhos. que falássemos com a professora, porque a autoridade dentro da escola era a professora e tal. eu entendo. luana uma vez apareceu com uma marca de mordida no braço, disse que foi uma amiguinha. falei com a professora e ela mesmo resolveu isso, porque aconteceu dentro da sala, e quem teria que tomar partido da história era ela e bla bla bla. o que alguns pais fariam (e fizeram) era falar com A CRIANÇA que mordeu o filho deles. sem noção, uma criança de 4, 5 anos não entende esse tipo de confusão.
mas quando eu vi luana chorar porque antônia disse que não queria mais luana como amiga, me fez bufar. sou mãe, sou emotiva, sou passional. cheguei perto de antônia e disse calmamente que aquilo que ela estava fazendo era feio e se ela gostava de ver a amiguinha chorar. ela só disse não com a cabeça baixa e entrou na sala. a partir desse dia passei a ter uma antipatia por antônia. vi ela fazendo a mesmissima coisa com várias outras amiguinhas, e todas ficam visivelmente magoadas. algumas outras mães ficaram indignadas com aquilo. como se fosse maldade. não sei se alguem de tão pouca idade tem maldade no coração, mas é dificil ver isso acontecer e não sentir nada.
e hoje, antônia chegou depois da luana na escola. chegou perto de mim e me entregou uma flor. "é pra você." fiquei sem palavras e coloquei a flor no bolso (oi?). na hora em que bateu o sinal, agachei perto da luana e disse as mesmas palavras de sempre: seja boazinha, coma todo o lanche, brinque bastante e obedeça a professora, recebi um beijinho e ela entrou. ao meu lado, antônia me olhava. "vai entrar também?" "aham..." e ela me deu um beijo e um abraço.
já disse. sou mãe, sou emotiva, sou passional.
e semana que vem, vou falar com o irmão de antônia (é ele quem leva ela pra escola) pra ela passar uma tarde de sábado aqui em casa.
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desbloqueando.
travada. é assim que eu ando em relação ao blog. não estou em nenhum daqueles ataques de raiva dele, e achando tudo sem graça ou sentindo vergonha por posts antigos. nada disso. estou travada, e só. já comecei uns 3 posts e não vai pra frente. começo falando de algo e vejo que enrolei demais, ou de repente na 4° linha o assunto fica entediante... enfim, quem tem blog sabe o que é isso. a não ser que a vida seja cada um minuto um flash e um link, e daí tem assunto pra dar, vender e trocar.
ando me sentindo culpada, de certa forma. não tenho lindo nada interesante - pra mim. todos os livros que pego, são jogados pro lado na décima página. o que está sobrevivendo aos poucos é los angeles da marian keyes. mas também, ela tem uma literatura pra mulheres com pitis, é leve e flui bem. mesmo assim o vejo jogado embaixo de almofadas e suspiro, "poderia estar me estimulando intelectualmente".
o mesmo com filmes. tenho dvds e mais dvds com filmes em divx pra assistir, a 4 dias seguidos ando baixandos todos os filmes que me parecem interessantes. mas assistir que é bom, nada. nem os seriados enlatados tira-o-cérebro-põe-no-copo-de-água eu tenho vontade de ver. mas baixo do mesmo jeito. estou com a primeira temporada completa de how i met your mother.
então o que eu ando fazendo? cozinhando. ahah sim. isso mesmo. estou numa caça enfurecida por novas receitas. e o melhor de tudo, esta dando certo. tinha um trauminha com receitas novas, porque por um tempo tudo andou dando errado e eu me sentia incapaz - haha sério. aí um dia eu quis pão de queijo, e fiz. ficou lindo e delicioso (comemos numa maratona do de volta para o futuro). e daí quis torta de maçã, e usei as claras que sobraram pra fazer suspiro pra luana - ela adora. e foi assim com o pound cake. e com o risoles.
próxima vítima é torta de limão. ou brownie recheado. ou bolo de gelatina. ainda estou decidindo.
pobre do moisa, que detesta doces e eu o obrigo a comer, porque não posso comer sozinha. e apesar de tudo isso acima, eu ainda estou de dieta.
falando em dieta, fiz a avaliação trimestral na academia. fiquei triste ao ver que em dois meses e meio eu perdi 1 kg e meio. fiquei deprimida o final de semana inteiro, achando que todo o esforço anterior foi em vão. mas lembrei que tive umas férias - bem servida - de 15 dias. e que perdi 3 cm de cintura.
e agora, com minha obsessão pela cozinha, adicionei por conta própria mais 20 minutos na ergométrica.

hehe quem estava travada com o blog?
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inverno austral.
 from: cersibon.gentch, eu e as meninas da gelëre fizemos um blog sobre nada pra te dar dicas sobre tudo. não é o máximo?***durante todos esses dias longe do blog, eu passei enrolada em cobertas. frio. frio. frio minha gente, muito frio. e olha que eu já passei muito frio na minha vida, mas igual esse é difícil de encontrar. gela tudo, até as burcas dos olhos. ontem, enquanto eu passava as compras do mês no caixa do mercado correndo e com vergonha porque as luzes já estavam apagadas - e eu era a penúltima cliente - a moça foi simpática comigo (porque geralmente as caixas odeiam retardatários que deixam pra fazer aquela compra faltando 10 minutos pra fechar), perguntou de onde eu era e quando eu disse maringá ela abriu um sorriso e só falou o quanto maringá é uma cidade bonita e com um clima agradável. eu ri e disse sim, até porque não queria ser chata e dizer "aahh mas você não morou lá! é muito quente e a terra roxa deixa tudo sujo demais", enfim, mas tenho que concordar que a cidade é bonita mesmo. e sim, eu sempre digo que sou de maringa. é bom resumir a resposta a isso do que eu nasci em maringa, mas meus pais moravam em nova esperança e com 4 meses eu mudei pra palmital, e dai fiquei 8 anos lá pra depois morar na bahia, acredita! a bahia, e fiquei la por quase 4 anos e dai voltei pro parana, morei um tempo com meu avô em nova esperança até meus pais voltarem pro paraná tambem, nisso eu fui pra maringa, fiquei dois anos e fui pro japao. siiiim japão! e dai eu trabalhei lá 2 anos e meio e voltei pra maringa e fiquei la 6 anos, foi quando casei e fui pra sao jose dos pinhais mas meu marido foi transferido pra cá e fim. em algum ponto dessa trajetória eu perdi minha "terra natal", então digo que sou da cidade onde eu nasci, e vivi 8 dos meus 24 anos. mas o ponto não é esse. aí a gente - eu e a caixa - começamos a fala do frio daqui, que é gelado e úmido. e ela disse que eu já peguei a primeira geada do ano. geou por aqui, sabiam? eu não. preciso daqueles termômetros de ambiente, pra saber quanto esta fazendo por aqui, porque não quero mais olhar as previsões do tempo da cidade vizinha, sendo que ela é mais quente, apesar dos poucos metros de distância. e também preciso comprar lenha. tenho uma lareira na sala. não pensem naquelas lareiras de filme americano, é uma lareira de metal, que foi colocada depois que a casa foi construída. um dia eu fui ascender e não abri aquela portinha pra fumaça ser sugada e foi um fumaceiro horrível pela casa. daí tive que deixar tudo aberto pra ventilar, e ao invés de um ambiente quentinho eu tive uma casa fedendo fumaça e gelada. é isso, o inverno só começa oficialmente dia 20 de junho, às 20:59h. e eu já quase botei foto na casa, sobrevivi a uma geada que eu não tinha conhecimento, quase tenho meus dedos congelados todos os dias, e estou considerando seriamente comprar meias de lã. e um agasalho pro bandini, coitado.
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